A cada dia, de um a três boletins de ocorrência notificando o desaparecimento de crianças ou adolescentes são registrados no Paraná, segundo o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). A boa notícia é que a grande maioria dos casos (algo em torno de 99%) tem um desfecho feliz, com os jovens sendo encontrados são e salvos. Nas últimas semanas até  houve um “boom” de registros, que confirmam as estatísticas.

Levantamento feito pelo Bem Paraná com base no Sistema de Pessoas Desaparecidas, da Polícia Civil, revela que nos oito primeiros dias de novembro foram registrados pelo menos nove casos de desaparecimento (considerando apenas os casos ainda em aberto). A delegada Iara Laurek Dechiche, do Sicride, confirma a explosão de ocorrências nos últimos dias, destacando ainda que os casos tiveram desfecho positivo.

“Todo dia desaparece alguma criança no Paraná. Todo dia tem um, dois ou três boletins de ocorrência e que conseguimos resolver. Mas nesse último feriado apareceu uma porção de casos. Felizmente, foram casos que já estamos acostumados, desaparecimentos corriqueiros em que o filho saiu com o pai, a menina foi brincar na casa de outra pessoa. Não teve nenhum caso em que a criança veio a falecer ou foi sequestrada”, diz a delegada do Sicride.

Os casos mais comuns, comenta ainda Iara, são de desaparecimentos envolvendo crianças abrigadas, cujos pais perderam a guarda, e aí os filhos fogem do abrigo para ficar com os pais. Outro tipo de episódio recorrente é o de jovens que saem e não avisam os pais. “As vezes passam a noite na casa de amigos e no outro dia de manhã ou no almoço aparecem em casa. Isso é muito comum”, conta.

O Paraná é considerado referência nacional em solucionar casos de crianças desaparecidas. Em 2014, por exemplo, o Sicride solucionou todos os 254 casos de desaparecimentos de crianças de até 11 anos ocorridos no Estado.

Chama a atenção
Nos últimos tempos, porém, um tipo de ocorrência tem se tornado cada vez mais frequente, ao ponto de chamar a atenção dos policiais: o de meninas adolescentes e pré-adolescentes que fogem cada vez mais cedo de casa para ficarem com seus namorados. Segundo a responsável pelo Sicride, esse tipo de ocorrência não acontecia até alguns anos atrás.

“As meninas estão ficando adolescentes mais cedo e temos registrados muitos casos de meninas de 11 anos fugindo com os namorados”, relata a delegada. “Num desses casos recentes, inclusive, a menina deixou um bilhete para a mãe dizendo que não era para ela se preocupar porque estava casada, que não estava acontecendo nada com ela. Mas isso é estupro de vulnerável. Quando fomos ver, o namorado dela era maior de idade e um traficante. Aí o negócio pega. Mas no final a gente sempre vence.”

Sentiu falta, procure a polícia; não precisa esperar 24 horas
Diferente do que muitos podem imaginar, não é preciso esperar 24 ou 48 horas para comunicar a polícia sobre o desaparecimento de alguém. O recomendado é informar as autoridades tão logo seja notado o desaparecimento da criança, sendo importante ainda pedir para alguém ficar no local onde a criança foi vista pela última vez, caso ela retorne ao local, avisar todos os amigos e parentes próximos, além de ir aos locais onde o pequeno gosta de visitar com uma foto, caso tenha alguém para perguntar sobre a criança. 

“Não precisa esperar (para registrar o B.O.). Isso é uma lenda criada não sei por quem e aonde, mas já vem de tempos e muita gente acredita que tem de esperar 24 horas. Mas isso não existe e é para todo desaparecido: criança, adolescente, jovem, pessoa de idade. Sentiu falta, vá registrar um B.O. na delegacia mais próxima ou procure um policial”, esclarece a delegada Iara Laurek Dechiche.