O Paraná tem 556 inquéritos policiais que investigam feminicídio, de acordo com o Ministério Público Estadual (MP-PR). O número é contabilizado desde 2015, quando a lei que prevê este tipo de crime foi publicada.
Conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2017, o número de casos de violência contra a mulher aumentou no estado 16% em relação ao ano anterior, totalizando 32.441.
São quase 90 casos por dia – o que equivale um novo processo a cada 16 minutos.
"Existem muitas mulheres que ainda não se sentem prontas para denunciar, que acreditam que a pessoa que as está agredindo vai melhorar", afirmou a promotora Mariana Dias Mariano.
Perfil do agressor
Para psicóloga Adriana Maria Bigliardi, que é mestre em psicologia e mestre em violência contra a mulher, não é possível estabelecer um único perfil de agressor. Porém, pode-se perceber algumas características.
"Pessoas que não têm habilidade de negociação de uma situação de conflito. Então, numa situação de estresse parte para uma ação violenta porque não tem um recurso intelectual para lidar de outra forma com a situação e também baixa empatia. Não consegue se colocar no lugar do outro, e aí ele agride sem sentimento de culpa. Isso a gente encontra em todos os agressores", explicou a psicóloga.

Medidas protetivas

As mulheres que se sentirem ameaçadas podem acionar medidas protetivas, como:
  • Afastamento do agressor do lar ou do local de convivência da vítima;
  • Proibição de se aproximar ou entrar em contato com a mulher, familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;
  • Proibição de frequentar determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da vítima.
 
Hoje, 22 mil mulheres têm medida protetiva no Paraná. A partir deste ano, o homem que descumprir as medias comete crime e pode ter pena de até dois anos de prisão.
Para conseguir uma medida protetiva, é necessário procurar uma delegacia ou o MP.
"Muitos dos homens que são agressores dentro de uma relação estável, eles não se reconhecem agressores. Eles imaginam que aquele comportamento é normal de homem. Então, isso dá indício de um fator cultural. Isso é bom porque a gente pode transformar a cultura. A gente pode trabalhar com educação, com conscientização para transforma a cultura", disse a psicóloga.