Uma verdadeira tragédia está em curso no Brasil. Nada tem a ver com a criminalidade, desastres naturais ou a guerra. As estatísticas de acidente do trabalho assustam. Somente no Paraná é uma ocorrência a cada 14 minutos, sendo que nos últimos seis anos 1.286 trabalhadores não voltaram para casa, entrando para a estatística de mortes em acidentes de trabalho.
Segundo dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, atualizados na segunda-feira pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), o Paraná registrou entre 2012 e 2017 um total de 231.586 Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT), respondendo por 7,65% das ocorrências em todo o país e com uma média de 106 ocorrências por dia. É o quinto estado brasileiro com mais registros, atrás apenas de São Paulo (1.129.260), Minas Gerais (306.606), Rio de Janeiro (239.827) e Rio Grande do Sul (239.806).
No mesmo período, foram 105.133 afastamentos previdenciários decorrentes de acidentes e doenças do trabalho, com custo de R$ 917.688.277,56 para a Previdência Social e a perda de 21.115.999 dias de trabalho.
“Segundo estimativas globais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), acidentes e doenças de trabalho implicam em perda anual de cerca de 4% do Produto Interno Bruto, o que, no caso do Brasil, equivaleria, em números de 2017, a R$ 264 bilhões”, revela o procurador do Trabalho Luís Fabiano de Assis, responsável pelo observatório. 
Por setor
Os profissionais que atuam no atendimento hospitalar são os que mais sofrem acidentes (8,35% dos casos), em especial aqueles que trabalham na enfermagem e na limpeza. Em seguida aparecem aqueles que trabalham com o abate de animais (5,58%), funcionários do comércio varejista, principalmente hipermercados e supermercados (3,68%) transporte rodoviário de carga (2,73%) e construção de edifícios (2,52%).
Já com relação aos tipos de lesão, cortes e feridas contusas aparecem em 20,9% dos registros de acidente, seguida de perto pelos casos de fratura (18,32%) e esmagamento (16,65%). 
Ainda segundo o observatório, a maior parte dos acidentes entre 2012 e 2017 em todo o país foram causados por máquinas e equipamentos (15%), atividade em que as amputações são 15 vezes mais frequentes e que gera três vezes mais vítimas fatais que a média geral.