Em dez anos, de 2006 a 2015, das 2.705 mortes violentas que passaram por necropsia no Instituto Médico Legal (IML) de Francisco Beltrão, 48,9% eram decorrentes de acidentes de trânsito. Assim como no restante do País, os acidentes com veículos motorizados são a principal causa de morte de adultos jovens. 

Priscyla Carniatto Salomão, acadêmica do 6º ano de Medicina da Unioeste de Francisco Beltrão, pesquisou as mortes violentas que passaram pelo IML no período de uma década. A estudante constatou que os acidentes de trânsito rodoviários correspondem a 67% (1.072 casos) de todas as mortes causadas por acidente - nesta categoria consideram-se ainda as mortes decorrentes de quedas, afogamentos, eletroplessão, acidente de trabalho, incêndio, etc. -, seguida dos acidentes de trânsito urbanos, 15,7% (250 casos). "Analisando os acidentes de trânsito rodoviário, observamos uma prevalência dos acidentes do tipo colisão com um total de 663 casos, seguidos de capotamento com 176 casos e atropelamento com 114 casos", menciona a estudante.
Nos anos pesquisados, percebe-se uma queda considerável das mortes em acidentes de trânsito só em 2013. Priscyla constatou que isso foi resultado da Lei Seca (Lei 12.760/12), que teve como objetivo aumentar o rigor das penas para quem dirige alcoolizado, ao modificar o limite tolerado de concentração de álcool no sangue (que antes era de 6 decigramas), sendo que qualquer concentração já sujeitava o condutor às penalidades previstas; além disso, não havia mais a necessidade de um teste de alcoolemia, sendo possível a comprovação de embriaguez por vídeos, testemunhas, exame clínico ou constatação da autoridade de trânsito de sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Esta nova lei, também dobrou o valor da multa, dentre outras alterações mais severas. Porém, no ano seguinte, em 2013, os números voltaram a subir. 
Além disso, a pesquisa identificou que a mortalidade por Traumatismo Cranioencefálico (TCE), nos acidentes de trânsito rodoviário é a principal causa médica de morte, correspondendo a 37% dos óbitos (397 casos), seguido de Hemorragia Interna (HI), que corresponde a 20% (223 casos).