Um dia após lançar seu último míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês), a Coreia do Norte divulgou fotos do que eles chamam de "Hwasong-15", e a resposta coletiva de especialistas em mísseis foi — não sendo tão técnico — "Uau". O projétil e seu caminhão lançador, à primeira vista, parecem confirmar a declaração do regime norte-coreano que o foguete é mais avançado tecnologicamente do que os desenvolvidos antes.

Embora ainda haja muitos detalhes que não podem ser vistos nas fotos e a Coreia do Norte tenha um registro inglório de exagero, os analistas concordam que o Hwasong-15 marca um grande avanço no desenvolvimento de mísseis do regime norte-coreano.

Esse é realmente um grande míssil, muito maior do que eu esperava — disse Scott LaFoy, analista de imagens do site especializado NK News. — Eu acredito que um dos meus professores teria se referido a isso como um grande míssil.

Muitos analistas notaram que o projétil parecia com o American Titan II, que era inicialmente um ICBM, mas depois foi usado pela Força Aérea dos EUA e a Nasa como um veículo de lançamento espacial. Veja abaixo o que as imagens da Coreia do Norte mostram:

O CAMINHÃO

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, supervisiona o transportador ejetor lançador (TEL) do novo míssil Hwasong-15 - KCNA / REUTERS

O transportador ejetor lançador (TEL) tem nove eixos, com um a mais do que o usado para lançar o ICBM anterior. A Coreia do Norte afirma ter fabricado esse caminhão, mas analistas acreditam que ele é uma versão modificadas ou baseada no WS51200, um caminhão chinês em madeira. Pelo menos é o que parece ao lado do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Os pneus são quase tão altos quanto ele.

— Nós já vimos extensões de veículos pesados antes, mas este seria um grande passo a frente para a indústria de veículos pesados — disse LaFoy, estimando que o caminhão era aproximadamente duas vezes maior que um ônibus escolar americano. — Nós sabemos que (produzir) isso é bastante difícil. A China demorou um pouco para conseguir.

A OGIVA

A ogiva do Hwasong-15 é muito mais brusca do que a do míssil anterior, o Hwasong-14. É provável que este seja um esforço para diminuir ligeiramente o míssil enquanto ele passa pela atmosfera, o que diminui o calor dentro do projétil, fazendo com que a ogiva não precise suportar uma variação muito grande de temperatura durante o vôo.

Esse pode ser um esforço para superar problemas com o veículo de reentrada, a parte do projétil que protege a ogiva durante o lançamento e o traz de volta para a atmosfera terrestre. Esta é uma das partes do míssil que a Coreia do Norte ainda não provou ter dominado.

O tamanho da ogiva e o veículo de reentrada do Hwasong-15 confirma a declaração do regime norte-coreano que o foguete pode carregar uma ogiva grande e pesada. Porém, especialistas acham que o míssil testado nesta semana carregava uma ogiva falsa e leve.

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Os mísseis Hwasong-14 e 15 provavelmente carregaram apenas cargas muito pequenas, que exageram o alcance que um míssil norte-coreano pode voar, disse Michael Elleman, alto funcionário de defesa antimíssil no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Basicamente, quanto mais pesada for a ogiva, mais curta é a distância que o projétil pode viajar.

Se o Hwasong-15 foi equipado com uma carga de meia tonelada e manteve numa trajetória padrão, provavelmente poderia voar aproximadamente 8.529 quilômetros, o que significa que uma carga de 600 quilos mal chegaria a Seattle, escreveu Elleman para o "38 North", um site dedicado à Coreia do Norte. Ainda assim, com este enorme veículo de reentrada, o regime de Kim está claramente sinalizando que este é seu objetivo final.

MOTORES

A primeira etapa do Hwasong-15 — a parte inferior que impulsiona o projétil do lançador, às vezes chamada de "reforço" — tem dois motores.

— Estamos tentando descobrir o que podem ser e o quão poderosos são — disse David Wright, da União dos Cientistas Preocupados. — A segunda parte parece que pode transportar mais do que o dobro do propulsor que o Hwasong-14, já que é mais longo e tem um diâmetro maior. A combinação dessas duas coisas significa que é realmente um míssil novo e mais capaz.

A adição de dois motores dobrou o impulso da segunda parte e permite que o míssil atinja uma altitude de pico mais alta, diz Elleman. Este míssil chegou a uma altura de aproximadamente 4.506 quilômetros, ou seja, dez vezes mais alto que a Estação Espacial Internacional (EEI).

O Hwasong-14 tinha apenas um bocal e usava quatro propulsores vernier. Porém, o novo Hwasong-15 tem dois bocais e não tem vernier. Isso sugere que o míssil é conduzido por um propulsor gimbaled, uma maneira mais avançada de controlar o míssil.

— Esta é uma espécie de manobra que é bastante extravagante. Você perde menos impulso dessa maneira — afirmou LaFoy. — Nós sabíamos que eles chegariam a esse nível um dia, mas nós não pensávamos que os norte-coreanos já estavam lá.