WASHINGTON — Uma apresentadora de rádio americana denunciou o senador democrata Al Franken por tê-la tocado e forçado um beijo, sem o seu consentimento, durante uma viagem ao exterior em 2006, dois anos antes de ele ser eleito para a Câmara Alta dos Estados Unidos, quando ele ainda era um comediante. Uma foto divulgada por Leeann Tweeden mostra o congressista, aparentemente, colocando as mãos sobre os seios da mulher enquanto ela dorme, vestindo colete e capacete militares durante uma viagem de trabalho.Diante da publicação do relato no site da estação "790 KABC", na qual Leean trabalha, Al Franken emitiu um pedido público de desculpas. Mas políticos e eleitores indignados solicitaram uma investigação no Senado sobre a conduta do democrata. A denúncia de assédio se junta a casos semelhantes que expuseram o histórico abusivo de membros da indústria cinematográfica de Hollywood e da política internacional.

"Você sabia exatamente o que estava fazendo. Você me beijou à força, sem o meu consentimento, e segurou os meus seios enquanto eu estava dormindo. Fez alguém tirar uma foto disso, por saber que eu veria depois e ficaria envergonhada", escreveu Leeann, que passou a evitar Franken.

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Na postagem, a apresentadora explica que o assédio ocorreu durante ensaios de uma apresentação escrita por Al Franken. Eles integravam uma equipe que viajava com a missão de entreter tropas americanas no Oriente Médio. Leeann conta que o agora senador insistia em repetir a cena em que ele a beijava, mesmo diante de suas recusas. Com o protesto da mulher, o acusado teria "colocado a mão na nuca, amassado os lábios contra os dela e colocado a língua de maneira agressiva em sua boca".

"Não há nada engraçado sobre assédio sexual. Eu não podia acreditar naquilo. Ele me assediou, sem o meu consentimento, enquanto eu dormia. Me senti violada, envergonhada, humilhada", recordou a apresentadora, que não revelou a história antes por receio de que a prejudicasse.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, e o líder da minoria da Casa, Chuck Schumer, orientaram o Comitê de Ética a investigar a denúncia de Leeann contra o senador. Al Franken prometeu colaborar com a apuração. Ele emitiu um pedido de desculpas na quinta-feira, inclusive para sua equipe política, e deixou de comparecer a eventos dos democratas.

À imprensa, Franken destacou que não se lembra do beijo forçado, mas reconheceu que não deveria ter agido como mostra a foto. "Eu envio minhas sinceras desculpas a Leeann. Sobre a foto, o objetivo foi claramento ser engraçado, mas não foi. Eu não deveria ter feito isso", frisou o democrata, que, em texto posterior, explicou que "não sabia o que passava pela cabeça" quando se portou daquela forma.

 

O presidente Donald Trump comentou a denúncia no Twitter e opinou que a foto "vale mais que mil palavras".

"A foto do Al Frankenstein é muito ruim, vale mais que mil palavras. Onde vão as mãos dele em fotos 2, 3, 4, 5 e 6 enquanto ela dormia?", instigou o republicano.