A gestão de Peter Siemsen, na prática, chegou ao fim em 20 de dezembro. Mas sua passagem pelo Fluminense só terminará, de fato, nesta quinta à noite. É quando as contas de seu último ano serão votadas pelo Conselho Deliberativo. Resta saber se o desfecho será positivo ou negativo.

A aprovação, que um dia já foi considerada favas contadas, não é mais tão certa assim. Grupos que fazem parte da gestão do clube anunciaram ontem que rejeitarão as contas. É o caso do Esperança Tricolor e do MR21. Já o Flu 2050, do vice geral Cacá Cardoso, liberou seus membros para votarem como acharem melhor.

— Votaremos contra porque não concordamos com a forma como o Peter gastou o dinheiro do clube. Deixou uma bomba-relógio na conta do presidente Pedro Abad — explicou o conselheiro Antônio Gonzalez, do MR21.

Esta é a primeira vez que a Flusócio (de Abad, que votará pela aprovação) e estes grupos tomam caminhos diferentes desde que se uniram, no fim de 2016, para formar a atual gestão. Procurado, o presidente tricolor não quis se posicionar. O que se comenta no clube é que, embora haja um clima de tensão no ar, a relação não foi afetada.

O que sustenta a posição de quem rejeitará as contas é o parecer emitido pelo Conselho Fiscal. Curiosamente, o órgão recomenda a aprovação. Mas por critério “eminentemente técnico contábil”, como diz. No documento, a gestão do ex-presidente é chamada de “inconsequente e imprudente” por gastar toda a receita não recorrente (luvas de R$ 80 milhões pelo novo contrato com a TV) com despesas ordinárias e contratações, o que aumentou a dívida do clube.

O Conselho ainda destaca que “não houve compromisso com o planejamento dos anos subsequentes” e que foram deixadas dívidas de comissionamento, mesmo sabendo que todos os recursos estão comprometidos.

Em carta, ex-presidente lista benfeitorias

Procurado, Peter não quis falar. Mas enviou, ontem, carta aos conselheiros em que enaltece os feitos de sua gestão. O ex-mandatário lista os investimentos feitos no CT, em Xerém e nas Laranjeiras, a criação do Flu-Samorin (filial na Eslováquia) e a valorização das crias da base. Sobre as finanças, diz que o Tricolor não passou ileso pela crise ao perder fornecedor e patrocinador master.

As contas mostram cenário mais complexo. Além de perder estas receitas, o clube aumentou, no futebol, custos com pessoal (de R$ 57 milhões para R$ 81 milhões), com serviços profissionais (de R$ 6 milhões para R$ 26,7 milhões), e com gastos gerais (de R$ 13,9 milhões para R$ 25,9 milhões). E terá que pagar os empréstimos contraídos para fechar o ano no azul. A previsão para 2017 é de prejuízo de R$ 76 milhões.

A reprovação abre possibilidade para punição interna a Peter. O que se diz no clube é que as contas devem passar, ainda que de forma apertada, por razões políticas.