O piloto Osmar Frattini, que fez o pouso forçado com a família dos apresentadores Luciano Huck e Angélica há quase dois anos em Mato Grosso do Sul, afirma que fez tudo certinho no check list, ao contrário do que diz o relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Comando da Aeronáutica.

Frattini disse que vai contestar a conclusão da Aeronáutica sobre o acidente. O relatório dos peritos indica que teve uma pane seca, ou seja, faltou combustível no tanque da asa esquerda, e o motor da asa direita foi suficiente continuar o voo.

“Para nós não tinha como desconfiar. Está tudo marcado igual, está funcionando. Você confia que o equipamento está marcando e, de repente, não está marcando”, afirmou o piloto.

Na época do acidente, os peritos do Centro de Investigação levaram as turbinas, os sensores, tanque, bombas de combustível. Segundo o relatório, o piloto e copiloto não cumpriram o checklist obrigatório em casos de pane.

“Eu fiz tudo certinho no checklist. O Flávio [de Souza Zanatto] que executou e ele perguntava. Não é à toa que quando eu decidi pousar eu disse que ele seria ‘o meu comando’ para reduzir e cortar o motor”, disse Frattini.

O relatório apontou ainda que o avião poderia ter chegado a Campo Grande, mas o piloto explica que não tinha condições para continuar o voo. “A intenção era prosseguir até Campo Grande, mas eu estava perdendo muita velocidade, caindo muito rápido. Então tomei a decisão do pouso forçado mesmo”, disse Frattini.

Avião que fez pouso forçado em fazenda levava Angélica, Hulck, filhos e babás. (Foto: Walter Barbosa)

 

Responsabilidade

Sobre o intuito do advogado José Trad, que defende a MS Táxi Aéreo, em culpar o piloto sobre o acidente, Frattini disse que não pode mudar o regime da empresa. “A empresa determinou ser de uma forma e era assim. Muito mais fácil você ser substituído do que arrumar o problema”, afirmou o piloto que presta serviço há 15 anos.

A investigação também indicou que a aeronave tinha dois equipamentos essenciais sem funcionar: o gravador de dados de voz, que é uma das caixas-pretas, e um sistema que diminui automaticamente resistência do ar em uma das hélices quando ela para.

O relatório revelou que a empresa de táxi-aéreo orientava os pilotos a não escriturar “não conformidades” no diário de bordo da aeronave. Eles sequer tinham acesso às cadernetas de motor, célula e hélice.

Além disso, conforme o documento, equipamentos que não eram considerados essenciais para o despacho da aeronave não costumavam sofrer nenhum tipo de manutenção pela empresa.

“Você leva um avião para manutenção com itens para serem feitos, você pega o avião e sai para um voo e começa a aparecer um, outro e outro problema. Cansei de não fazer voo e eles mandarem um menino novo. Minha intenção era forçar eles a fazerem a manutenção”, disse Frattini.

Outro problema que resultou na necessidade do pouso forçado do bimotor foi a troca da posição dos sensores de combustível da asa esquerda. O do tanque interno estava instalado no externo, e vice-versa, o que fez com que o piloto achasse que havia combustível naquela asa, o que não era verdade.

Uma válvula de alimentação cruzada interligava os sistemas direito e esquerdo, possibilitando, quando necessário, o fornecimento de combustível de uma mesma asa para ambos os motores ou, no caso de um motor inoperante, a alimentação do motor em funcionamento com combustível da asa oposta.

“Quando o motor apresentou a falha, a primeira coisa que eu vi foi o liquidômetro do avião e havia combustível. Se havia combustível eu não pensei em nada sobre falta de combustível, mas sobre motor. Quando o motor apresentou a pane, fizemos todos os procedimentos, checklist, emergências”, explicou o piloto.